A Ucrânia realizou um dos maiores ataques com drones em território russo no domingo, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo uma dúzia de outras, segundo relataram autoridades locais. Os ataques alvejaram áreas próximas a Moscou e à região de Belgorod, logo do outro lado da fronteira com a Ucrânia. Autoridades russas confirmaram o incidente e afirmaram que destroços dos drones caíram sobre o Aeroporto Internacional de Sheremetyevo, o principal hub aéreo do país, sem danificar a infraestrutura ou aeronaves do local. O ataque representa uma escalada significativa no uso de drones de longo alcance pela Ucrânia dentro da Rússia, tática que Moscou já condenou repetidamente como uma perigosa provocação.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, defendeu a operação em uma declaração pública, classificando-a como “totalmente justificada”. Seus comentários foram feitos após a Rússia lançar ataques noturnos com drones contra Kiev, que feriram oito pessoas, segundo autoridades ucranianas. Os contra-ataques mútuos destacam como as linhas de frente da guerra se tornaram difusas, com ambos os lados agora mirando alvos profundos atrás das linhas inimigas usando sistemas não tripulados. O governador regional de Moscou, Andrei Vorobyev, relatou que um drone atingiu uma casa particular em Khimki, cidade a noroeste da capital, matando uma mulher. Outros dois homens morreram na aldeia de Pogorelki, cerca de dez quilômetros ao norte de Moscou, após outro drone atingir uma área residencial. Vorobyev publicou nas redes sociais que drones ucranianos também danificaram infraestruturas não especificadas e vários edifícios de grande porte, mas não forneceu mais detalhes.

Na região de Belgorod, um homem morreu quando um drone atingiu seu caminhão próximo à fronteira com a Ucrânia, confirmaram serviços de emergência locais. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que pelo menos 12 pessoas ficaram feridas na capital, principalmente perto da entrada da refinaria de petróleo da cidade. A refinaria não sofreu danos, segundo Sobyanin, mas o ataque interrompeu o tráfego e provocou pânico entre os moradores enquanto equipes de emergência respondiam a incêndios e propriedades danificadas.

Especialistas afirmam que os drones ucranianos envolvidos no ataque parecem ser modelos comerciais modificados, capazes de voar centenas de quilômetros, semelhantes aos usados em ataques anteriores a depósitos de petróleo e instalações militares russas. A Rússia acusou a Ucrânia de usar tecnologia ocidental fornecida para esses ataques de longo alcance, uma alegação negada por Kiev. A mais recente escalada ocorre após meses de ataques ucranianos constantes com drones dentro da Rússia, mirando logística militar, infraestrutura energética e prédios governamentais.

Analistas afirmam que a mudança reflete a crescente confiança da Ucrânia em sua produção doméstica de drones e uma estratégia para degradar a capacidade de combate da Rússia, forçando Moscou a desviar recursos para a defesa do território nacional. Para civis em ambos os lados, os ataques tornaram a vida diária mais precária. Em Kiev, sirenes de ataque aéreo se tornaram parte rotineira das noites, enquanto em Moscou, moradores agora se preparam para mais interrupções após anos de relativa segurança contra ataques diretos.

O ataque ao aeroporto de Sheremetyevo, embora com danos menores, enviou uma mensagem clara: nenhuma cidade russa está completamente fora de alcance. Autoridades russas prometeram reforçar as defesas aéreas e alertaram sobre “medidas retaliatórias”, mas, até agora, o ciclo de ataques só se intensificou. O que acontecerá a seguir depende de as duas partes buscarem uma desescalada ou ampliarem ainda mais os bombardeios. Por enquanto, as pessoas que vivem à sombra desta guerra se perguntam quando o próximo drone poderá aparecer — e onde ele pousará.