Cobertura contínua: Eurovisão 2024 sob escrutínio pela participação de Israel em meio à guerra

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu na sexta-feira o boicote da Espanha ao Festival Eurovisão da Canção 2025 por conta da participação de Israel, afirmando que o país não pode permanecer em silêncio diante dos conflitos em andamento em Gaza e no Líbano.

Sánchez declarou à imprensa em Madri que “o silêncio não é uma opção” ao ser questionado sobre a ausência da Espanha na competição anual de música. “Não podemos normalizar a participação quando há conflitos em curso que envolvem genocídio em Gaza e uma guerra ilegal no Líbano”, afirmou. O boicote foi confirmado horas após o anúncio da inclusão de Israel no concurso.

A decisão marca a primeira vez que a Espanha deixa de participar do Eurovisão desde sua estreia na competição, em 1961. A medida segue pressões de partidos progressistas e de esquerda na coalizão governista espanhola, além de apelos de grupos de direitos humanos para que o país se posicione contra as ações militares de Israel em Gaza e no Líbano.


Espanha integra lista crescente de boicotes

A Espanha não está sozinha em sua posição. Vários países europeus têm levantado preocupações sobre a participação de Israel no Eurovisão diante da guerra em Gaza, que, segundo autoridades de saúde de Gaza, já matou mais de 35 mil palestinos desde outubro de 2023. Irlanda e Islândia também sinalizaram possíveis boicotes, enquanto outras nações pediram regras mais rígidas sobre mensagens políticas em apresentações.

Os organizadores do Eurovisão, a União Europeia de Radiodifusão (EBU), rejeitaram até agora os pedidos de exclusão de Israel, argumentando que o concurso é um evento cultural e deve permanecer apolítico. “O Eurovisão é sobre música e união, não sobre política”, declarou um porta-voz da EBU em comunicado. “Continuamos comprometidos em garantir que todos os países participantes possam tomar parte.”


Reações internacionais ao boicote da Espanha

As reações à decisão da Espanha foram mistas. Apoiadores do boicote, incluindo ativistas pró-palestinos e legisladores de esquerda, elogiaram Sánchez por tomar uma posição moral. “Esta é uma atitude corajosa que está alinhada com o direito internacional e os direitos humanos”, afirmou Pablo Iglesias, ex-vice-primeiro-ministro espanhol e líder do partido de esquerda Podemos.

Críticos, no entanto, argumentam que o boicote politiza o evento e estabelece um precedente perigoso. “A política não deve interferir em eventos culturais como o Eurovisão”, declarou Josep Borrell, chefe da política externa da União Europeia. “A decisão da Espanha pode polarizar ainda mais um continente já dividido.”


O que vem pela frente para a Espanha e o Eurovisão?

A ausência da Espanha no Eurovisão 2025 será preenchida por uma apresentação pré-gravada transmitida durante o evento, segundo a emissora espanhola RTVE. O país ainda não confirmou se retornará em edições futuras. Enquanto isso, a EBU está revisando pedidos para reformar suas regras sobre participação política, embora não sejam esperadas mudanças antes do concurso de 2025.

Para Sánchez, a decisão faz parte de uma mudança mais ampla na política externa espanhola, alinhando-se a padrões internacionais de direitos humanos. A Espanha tem aumentado recentemente suas críticas às ações militares de Israel e pedido um cessar-fogo imediato em Gaza. O boicote envia uma mensagem clara de que o governo não permanecerá neutro diante do que classifica como violações de direitos humanos.

A medida também reflete a crescente pressão pública na Espanha, onde pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos cidadãos apoiam sanções contra Israel por suas ações em Gaza. Ativistas agora pressionam por ações diplomáticas adicionais, incluindo o recall do embaixador espanhol em Israel.