Labour’s Streeting calls Brexit a ‘catastrophic mistake’ while Burnham backs eventual EU re-entry but not immediately.
- Streeting resigned as health secretary to run for Labour leader
- Streeting called Brexit a ‘catastrophic mistake’ and wants UK to rejoin EU
- Burnham sees a ‘long-term case’ for rejoining but won’t push it now
Cobertura contínua: O Brexit paira sobre a disputa pela liderança do Partido Trabalhista e eleições suplementares
Wes Streeting, que renunciou ao cargo de ministro da Saúde do Reino Unido na semana passada, agora mira a liderança do Partido Trabalhista — e sua primeira jogada é descartar o manual de estratégias do Brexit do país. Streeting, uma estrela em ascensão no governo de Keir Starmer, disse a repórteres que o plebiscito de 2016 para deixar a UE foi um “erro catastrófico” e defendeu que o país inicie o processo de reingresso ao bloco. Sua posição coloca-o em desacordo com a atual liderança trabalhista e sinaliza uma possível mudança na forma como o partido lida com a questão do Brexit caso ele vença a disputa pelo cargo máximo. Streeting renunciou ao gabinete para concorrer em uma provável disputa acirrada pela sucessão de Starmer, tanto como líder do partido quanto como primeiro-ministro. Ele não esconde suas ambições: “Isso diz respeito a quem pode enfrentar os conservadores e vencer as próximas eleições”, declarou em seu discurso de renúncia. Mas suas declarações sobre o Brexit arriscam reabrir velhas feridas em um partido ainda dividido sobre a Europa. Parlamentares trabalhistas já alertam que pressionar pela adesão à UE cedo demais poderia custar votos em regiões que apoiaram a saída em 2016, especialmente no Midlands e no Norte. A proposta de Streeting não se limita à Europa — trata-se também de velocidade. Ele quer que o Trabalhista avance mais rápido em políticas como direitos trabalhistas e acordos comerciais, que foram mais difíceis de implementar enquanto o Reino Unido estava fora do mercado único e da união aduaneira da UE. Seus críticos, porém, argumentam que ele está apostando alto com a coalizão eleitoral do partido ao reacender um debate que muitos eleitores querem deixar para trás.
O que Andy Burnham diz — e por que isso importa
Andy Burnham, prefeito trabalhista da Grande Manchester, adotou uma postura mais branda. Burnham, que concorre em uma eleição suplementar iminente para desafiar a liderança de Starmer, disse a repórteres locais que vê um “caso de longo prazo” para o reingresso à UE — mas enfatizou que não é algo que defenderia agora. Sua abordagem reflete o pragmatismo cauteloso que tem definido a estratégia trabalhista sobre o Brexit desde que Starmer assumiu o comando. A posição de Burnham também reflete a realidade de sua região: a Grande Manchester votou 53% pela saída em 2016, e a economia local ainda depende fortemente do comércio com a Europa. Contudo, ele não defende um retorno rápido. Em vez disso, foca em soluções imediatas, como melhor financiamento da UE para pequenas empresas locais e regras mais fáceis de viagem para jovens. Sua mensagem aos eleitores é clara: não esperem que o Trabalhista reabra a batalha do Brexit enquanto o partido tenta reconquistar a confiança em outras pautas. Esse tom cauteloso o aproxima da linha de Starmer, ainda que esteja disposto a manter a porta aberta para a adesão à UE no futuro.
A posição atual do Trabalhista — e para onde pode ir
O embate entre Streeting e Burnham não é apenas uma questão de personalidades. É um sinal de um debate mais profundo dentro do partido sobre como lidar com o Brexit sem afastar sua base. A postura linha-dura de Streeting poderia energizar eleitores jovens e urbanos, que em 2016 votaram maciçamente pela permanência. Mas arrisca afastar trabalhadores de cidades que mudaram do Trabalhista para os conservadores após o Brexit, como Walsall ou Dudley. A abordagem de Burnham é mais voltada ao controle de danos. Ele aposta que os eleitores se preocupam mais com crises no custo de vida e filas no SUS (NHS) do que com nostalgia do Brexit. Contudo, seu “caso de longo prazo” deixa espaço para futuros líderes pressionarem mais — especialmente se a economia estagnar ou os acordos comerciais não atenderem às expectativas. A política oficial do Trabalhista não mudou. O partido ainda afirma que não buscará reingressar na UE enquanto estiver no governo, mas deseja laços mais estreitos em áreas como financiamento à ciência e regras climáticas. Streeting e Burnham estão testando os limites dessa posição.
O que acontece agora — e quem realmente decide
A disputa pela liderança trabalhista pode se estender por meses, e o vencedor não poderá decidir sozinho a política sobre o Brexit. Qualquer movimento para reingressar na UE exigiria um referendo, e mesmo assim enfrentaria enormes obstáculos no Parlamento e junto ao público. Os conservadores quase certamente se oporiam, e pesquisas mostram que a maioria dos britânicos não quer outra votação divisiva. A melhor chance de Streeting para impulsionar sua agenda é vencer a liderança — e, então, remodelar a plataforma do Trabalhista antes das próximas eleições. O papel de Burnham é mais complicado. Sua candidatura à eleição suplementar é um protesto contra Starmer, não uma plataforma política. Se perder, sua influência desaparece. Se vencer, ainda será apenas uma voz em um partido grande. O verdadeiro teste virá se o Trabalhista perder as próximas eleições. Uma derrota poderia forçar o partido a repensar completamente sua posição sobre o Brexit — especialmente se eleitores em regiões que votaram pela saída punirem o Trabalhista por não cumprir promessas. Até lá, o debate permanece em segundo plano, como tem sido desde que Starmer assumiu. Mas a movimentação de Streeting mostra que a questão não morreu — e pode ressurgir rapidamente se o Trabalhista começar a perder espaço para partidos menores, como o Reform UK, à direita, ou os Verdes, à esquerda.
The Guardian
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