O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou Taiwan na quarta-feira contra a declaração de independência, poucas horas depois de realizar uma cúpula com o presidente chinês Xi Jinping, com o objetivo de reduzir as tensões no Estreito de Taiwan. A advertência foi feita durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, onde Trump afirmou que tanto Pequim quanto Taipei devem “acalmar” seus discursos para evitar uma escalada maior.

A China reivindica a ilha de Taiwan, governada democraticamente, como parte de seu território e já advertiu repetidamente contra qualquer movimento em direção à independência formal. Autoridades taiwanesas acusaram Pequim de aumentar a pressão militar e o isolamento diplomático nos últimos meses, incluindo frequentes incursões navais e aéreas próximas à zona de identificação de defesa aérea da ilha. A China não descartou o uso da força para alcançar a reunificação.

Os comentários de Trump vêm após um encontro de alto nível com Xi em São Francisco na terça-feira, onde os dois líderes concordaram em retomar as comunicações militares e trabalhar para estabilizar o relacionamento. A cúpula foi vista como uma tentativa de reduzir atritos entre as duas maiores economias do mundo, especialmente em relação a Taiwan, que permanece como um ponto crítico nas relações sino-americanas. Um alto funcionário dos EUA afirmou que a conversa incluiu “discussões francas” sobre a importância da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan.

O governo de Taiwan respondeu de forma cautelosa às declarações de Trump. Um porta-voz da presidente Tsai Ing-wen afirmou que Taipei não seria intimidado por pressões externas e defenderia seu sistema democrático. No entanto, o governo enfatizou que permanece comprometido com o diálogo e evita ações unilaterais que possam provocar Pequim. O ministério das Relações Exteriores de Taiwan pediu à comunidade internacional que apoie sua participação em organizações globais, citando a exclusão contínua devido à oposição chinesa.

Analistas afirmam que o alerta de Trump reflete os esforços mais amplos dos EUA para equilibrar o apoio a Taiwan com o desejo de evitar um conflito direto entre Washington e Pequim. Os Estados Unidos mantêm uma política de ambiguidade estratégica, fornecendo ajuda militar a Taipei, mas sem se comprometer explicitamente com sua defesa em caso de ataque. Propostas recentes do Congresso, incluindo uma venda de armas de US$ 2 bilhões e apoio bipartidário ao Taiwan Relations Act, sinalizam o contínuo apoio dos EUA à segurança da ilha.

O momento da declaração de Trump levantou questionamentos sobre as intenções dos EUA. Alguns observadores sugerem que pode ser uma tentativa de apaziguar Pequim antes de futuras negociações comerciais, enquanto outros veem como um esforço genuíno para desescalar as tensões. O ministério das Relações Exteriores da China acolheu positivamente o chamado de Trump à moderação, mas reiterou sua posição de que o status de Taiwan é uma questão interna que não admite interferência estrangeira.

A situação permanece fluida, com ambos os lados monitorando de perto os movimentos militares e diplomáticos um do outro. Qualquer erro de cálculo poderia levar a um rápido agravamento, potencialmente envolvendo os EUA e seus aliados regionais. Por enquanto, Washington parece priorizar o diálogo e medidas graduais de construção de confiança, embora o risco de escalada não intencional persista.