Kate Pasola passou anos observando como os espaços de mídia e artes do Reino Unido permanecem fechados para pessoas de origens da classe trabalhadora. A jornalista de Northumberland não está apenas frustrada — ela está impulsionando ações concretas. “Não se trata de pena ou caridade”, diz ela. “Trata-se do que perdemos quando grupos inteiros são excluídos.” Seu mais recente artigo no The Journal deixa claro: a cultura sofre quando apenas certas vozes são ouvidas. Ela aponta para programas de TV, redações e até produções teatrais locais onde sotaques, experiências e perspectivas da classe trabalhadora são raros. Isso não é apenas injusto. Está tornando nossas histórias mais pobres, nossos chistes menos afiados, nossas notícias menos precisas. Não é que pessoas da classe trabalhadora não existam. É que suas histórias muitas vezes não são contadas — ou, quando são, são retratadas como exceções, não como normas.

Os números não mentem

Pasola cita pesquisas da Sutton Trust mostrando que 39% dos principais jornalistas do Reino Unido estudaram em escolas particulares, embora apenas 7% da população geral tenha feito o mesmo. Essa disparidade não é apenas um detalhe do sistema — ela molda o que é coberto. Questões da classe trabalhadora, como cortes de austeridade, empregos precários ou pobreza rural, muitas vezes são reduzidas a estereótipos ou ignoradas completamente. Quando editores e produtores não refletem as comunidades que servem, as histórias erram o alvo. Ela dá o exemplo de como os debates sobre benefícios na mídia muitas vezes se concentram em estatísticas em vez das lutas das pessoas reais. “Ouvimos sobre ‘vagabundos’ e ‘folgados’”, diz Pasola. “Mas onde está a história da mãe solteira trabalhando dois empregos com salário mínimo só para manter as luzes acesas? Ela não é manchete. É invisível.”

As artes também não são imunes

O teatro e a literatura não estão muito melhores. Pasola aponta para o domínio de vozes formadas em Oxford e Cambridge no financiamento de artes e publicações. Ela recorda uma peça recente no West End de Londres onde todos os personagens falavam com sotaque de classe alta, mesmo em uma história ambientada em um conjunto habitacional. “Não foi sutil”, diz ela. “Era como se os escritores nunca tivessem conhecido alguém que não soasse como eles.” O resultado? Histórias que parecem distantes, mesmo quando deveriam ser relacionáveis. Isso não prejudica apenas o público da classe trabalhadora. Enfraquece a própria arte. Quando todas as histórias soam iguais, a cultura se torna repetitiva, previsível e entediante. Pasola argumenta que é exatamente isso que está acontecendo agora.

Por que isso importa além da política

Algumas pessoas assumem que a representação da classe trabalhadora é apenas uma questão política. Mas Pasola diz que também se trata de criatividade. Ela usa o sucesso de séries como Derry Girls como prova. O sucesso da série, ambientada nos anos 1990 em Derry, é repleto de vozes e humor da classe trabalhadora. É engraçado, afiado e profundamente humano — porque é real. “Derry Girls funcionou porque não estava tentando ser ‘classe trabalhadora’ por si só”, diz Pasola. “Ela simplesmente contou a história que queria contar, e a classe dos personagens fazia parte do que a tornava autêntica.” Essa é a diferença. Quando as vozes da classe trabalhadora não são apenas incluídas, mas colocadas no centro, a cultura fica mais rica. Os chistes funcionam melhor. Os personagens parecem reais. As notícias parecem relevantes.

O que precisa mudar

Pasola não está apenas expondo queixas. Ela está exigindo mudanças concretas. Primeiro, quer que escolas de jornalismo e empresas de mídia recrutem ativamente de origens não tradicionais. Isso significa direcionar estudantes de escolas públicas, oferecer estágios remunerados e eliminar experiências de trabalho não remuneradas que excluem pessoas que não podem se dar ao luxo de trabalhar de graça. Segundo, ela quer que financiadores e produtores parem de assumir que as histórias da classe trabalhadora precisam ser “explicadas” para o público. Ela aponta para o sucesso de This Country, a sitcom da BBC sobre a vida em conjuntos habitacionais. O programa não simplificou seu humor ou cenário. Ele confiou que o público entenderia. Terceiro, ela está defendendo mais vozes da classe trabalhadora em cargos de decisão — não apenas como consultoras, mas como editoras, produtoras e diretoras artísticas. “Você não conserta um sistema adicionando algumas vozes simbólicas na base”, diz ela. “As pessoas no comando precisam parecer com as pessoas que deveriam representar.”

O custo do silêncio

Pasola não é ingênua. Sabe que a mudança não acontecerá da noite para o dia. Mas alerta que o custo de não fazer nada é alto. A cultura não é apenas entretenimento. É como nos vemos, como rimos, como discutimos e como aprendemos. Quando ela reflete apenas um recorte da sociedade, todos perdem. Ela aponta para a reação contra sotaques da classe trabalhadora na mídia — como a recente polêmica em torno do sotaque de Gary Lineker ter sido ridicularizado em uma entrevista na TV. “Não se trata apenas de Gary Lineker”, diz ela. “Trata-se da ideia de que certas formas de falar são aceitáveis, e outras não. Isso é uma podridão cultural. E está se espalhando.”

As apostas são maiores do que algumas oportunidades perdidas. Elas dizem respeito à saúde de nossa democracia, à vitalidade de nossas artes e à autenticidade de nossas histórias. A mensagem de Pasola é simples: as vozes da classe trabalhadora não são extras opcionais. São o sangue vital do que torna a cultura digna de ser engajada. Sem elas, todos nós saímos perdendo.

O que você precisa saber

  • Fonte: BBC News
  • Publicado: 17 de maio de 2026 às 09:15 UTC
  • Categoria: Negócios
  • Tópicos: #bbc · #negócios · #economia · #northumberland · #kate-pasola · #vozes-da-classe-trabalhadora

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Curado por GlobalBR News · 17 de maio de 2026


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