Adultos que mantêm alta aptidão cardiorrespiratória aos 40 e 50 anos ganham mais de cinco anos adicionais de vida saudável em comparação com seus pares menos aptos, segundo pesquisa publicada na quarta-feira (14) na revista Circulation. O estudo acompanhou 12 mil adultos por três décadas e descobriu que aqueles com os níveis mais altos de aptidão não apenas viveram mais, como também passaram menos anos lidando com condições crônicas como doenças cardíacas e diabetes.

A aptidão cardiorrespiratória, medida pela eficiência do uso de oxigênio durante exercícios, mostrou-se um preditor mais forte de longevidade do que fatores de risco tradicionais, como tabagismo ou obesidade. Os pesquisadores observaram que indivíduos com alta aptidão desenvolveram doenças crônicas, em média, 6,3 anos mais tarde do que os participantes com baixa aptidão, reduzindo a lacuna entre a expectativa total de vida e os anos vividos sem complicações graves de saúde. As descobertas permaneceram válidas mesmo após ajustes para idade, sexo e saúde inicial.

Como a aptidão física na meia-idade transforma os resultados de saúde

A principal autora do estudo, Susan Cheng, diretora do Instituto de Pesquisa sobre Envelhecimento Saudável do Cedars-Sinai Medical Center, classificou os resultados como um alerta para adultos que se aproximam da meia-idade. “A aptidão física não se resume a correr maratonas”, afirmou Cheng. “Até melhorias moderadas na capacidade cardiorrespiratória podem estender substancialmente o período de vida vivido com boa saúde.”

Os pesquisadores utilizaram testes de estresse em esteira para avaliar os níveis de aptidão no início do estudo, categorizando os participantes em grupos de baixa, moderada e alta aptidão. Aqueles na categoria de alta aptidão apresentaram 40% menos risco de morte prematura e 30% menos anos vividos com doenças cardiovasculares. Os dados sugerem que pequenos aumentos consistentes na atividade física — como caminhadas rápidas ou ciclismo — se traduzem diretamente em ganhos mensuráveis tanto na expectativa de vida quanto na qualidade de vida.

Especialistas recomendam movimento diário, independentemente da idade

Autoridades de saúde pública recomendam pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana para manter a saúde cardiorrespiratória. O treinamento de força duas vezes por semana ainda melhora a resiliência metabólica, ajudando adultos a evitar a perda muscular relacionada à idade e a resistência à insulina. No entanto, apenas cerca de 23% dos adultos nos EUA atendem às diretrizes básicas de aptidão física, segundo dados do CDC.

“Você não precisa se tornar um atleta”, disse Dr. Robert Ross, professor de fisiologia do exercício na Queen’s University, no Canadá. “Pequenos aumentos incrementais nos passos diários ou na intensidade dos treinos produzem mudanças significativas na aptidão física em questão de semanas.” Seu recente trabalho mostra que até mesmo rajadas de 10 minutos de exercício de alta intensidade três vezes por semana podem melhorar a captação de oxigênio em até 12%.

Próximos passos

A equipe de pesquisa planeja lançar um estudo de acompanhamento de cinco anos para testar se intervenções estruturadas de aptidão física podem reverter sinais precoces de declínio metabólico em adultos que já apresentam sintomas de pré-diabetes ou hipertensão. Enquanto isso, defensores da saúde pública estão pressionando seguradoras e empregadores a cobrir programas personalizados de aptidão física como cuidados preventivos.

Por enquanto, a mensagem é clara: a meia-idade não é tarde demais para investir em aptidão física. Cada incremento de melhora na capacidade cardiorrespiratória traz dividendos tanto em anos vividos quanto na qualidade de vida mantida.