Protesters in Tunisia accuse President Kais Saied of eroding democracy while the economy crumbles under rising prices and shortages.
- Protesters accuse Saied of undermining post-2011 revolution democracy
- Latest protests focus on economic hardship and political arrests
- Opposition groups say freedoms are disappearing under current government
Dezenas de policiais em trajes de controle de tumultos alinharam-se nas ruas do centro de Túnis na quarta-feira, enquanto milhares de manifestantes se reuniram próximo à principal estação de trem. A manifestação, convocada por grupos de oposição, transformou-se na maior demonstração pública de dissidência na Tunísia desde que o presidente Kais Saied suspendeu o Parlamento em 2021. Cantos como “Liberdade, dignidade, o povo quer a queda do regime” ecoaram pelas ruas, um eco direto da revolta de 2011 que derrubou o então líder de longa data, Zine El Abidine Ben Ali. Os manifestantes carregavam cartazes responsabilizando Saied pela inflação de três dígitos e pela escassez de bens básicos como farinha e remédios, que deixaram famílias lutando para pagar refeições.
Resposta policial e prisões
As forças de segurança responderam rapidamente, disparando gás lacrimogêneo e dispersando os manifestantes antes que a marcha pudesse atingir o palácio presidencial. Grupos locais de direitos humanos afirmam que pelo menos 50 pessoas foram presas durante os protestos, incluindo vários ativistas e jornalistas proeminentes. Entre eles estava a advogada de direitos humanos Sonia Benachour, detida após transmitir o evento ao vivo. A organização de Benachour, a Liga Tunisiana de Direitos Humanos, condenou as prisões como uma tentativa de silenciar a dissidência. “Eles não estão apenas prendendo pessoas — estão prendendo a ideia de que os tunisianos ainda têm o direito de falar”, declarou um manifestante aos repórteres.
A repressão reflete um padrão mais amplo desde que Saied consolidou o poder em julho de 2021. Naquele mês, ele demitiu o primeiro-ministro, suspendeu o Parlamento e passou a governar por decreto, citando a necessidade de “salvar a revolução”. Críticos argumentam que suas ações, na verdade, retrocederam as liberdades conquistadas após a revolta de 2011. A Frente de Salvação Nacional, uma coalizão de partidos de oposição, emitiu um comunicado classificando o governo de Saied como “uma ditadura de um homem só escondida atrás de retórica revolucionária”. Apoiadores de Saied rebatem que suas medidas foram necessárias para evitar o caos político e o colapso econômico.
Sofrimento econômico alimenta a raiva
Os protestos ocorrem enquanto a economia da Tunísia afunda cada vez mais em crise. O Banco Mundial estima que a inflação atingiu 9,3% em junho, impulsionada pelo aumento dos preços de alimentos e combustíveis. O dinar perdeu quase um terço de seu valor em relação ao dólar desde 2021, tornando bens importados inacessíveis para a maioria das famílias. Filas de pão retornaram às padarias tunisianas pela primeira vez em anos, e farmácias frequentemente ficam sem medicamentos essenciais. O governo culpa fatores globais, como a guerra na Ucrânia e interrupções nas cadeias de suprimentos, pelas escassez, mas muitos tunisianos afirmam que seus líderes falharam em gerir a economia de forma eficaz.
Saied respondeu com uma mistura de medidas populistas e repressão severa. Ele lançou uma campanha contra a corrupção, alvejando líderes empresariais e políticos acusados de desviar fundos públicos. Embora alguns tenham aplaudido os esforços anticorrupção, críticos dizem que as acusações são aplicadas de forma seletiva e usadas para silenciar opositores. Em maio, Saied ordenou a prisão de Rached Ghannouchi, líder do partido islamista moderado Ennahdha e então presidente do Parlamento. Ghannouchi, de 82 anos, foi acusado de “conspirar contra a segurança do Estado” — acusações que seus apoiadores chamam de politicamente motivadas. Seu julgamento está marcado para o próximo mês.
O que vem pela frente para a Tunísia
Os protestos destacam uma crescente divisão na Tunísia. De um lado, a base de Saied — muitos dos quais se sentem traídos pela classe política — ainda apoia sua abordagem autoritária. Do outro, uma geração mais jovem, que cresceu após 2011, está se rebelando, exigindo tanto alívio econômico quanto direitos democráticos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) condicionou um empréstimo de US$ 1,9 bilhão a reformas estruturais, incluindo cortes em subsídios alimentícios que agravariam ainda mais o orçamento das famílias. Saied resistiu a essas demandas, argumentando que as reformas prejudicariam os pobres.
Analistas alertam que o impasse pode escalar. A União Geral Tunisiana do Trabalho, a maior federação sindical do país, convocou uma greve geral se o governo não resolver a crise econômica e libertar prisioneiros políticos. Os líderes do sindicato historicamente se mantiveram afastados da política, mas seu envolvimento poderia transformar protestos esporádicos em um movimento nacional. Por enquanto, o governo não dá sinais de recuar. O escritório de Saied divulgou uma nota na quarta-feira classificando os protestos como “tentativas de inimigos da revolução de desestabilizar o país”. A declaração prometeu “proteger o Estado e suas instituições” — uma frase que críticos dizem sinalizar que mais repressão está por vir.
A crise da Tunísia está longe de terminar. A frágil democracia do país, já abalada por uma década de instabilidade, enfrenta agora seu teste mais difícil. Se Saied conseguir equilibrar a sobrevivência econômica com os princípios democráticos pode determinar se a Tunísia permanece como uma das raras histórias de sucesso da Primavera Árabe — ou se junta à lista de revoluções que terminaram em desilusão.
Al Jazeera
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