As defesas aéreas russas interceptaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite, matando três pessoas na região de Moscou, anunciaram as autoridades neste domingo. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, os drones foram abatidos em 14 regiões russas e na península da Crimeia, anexada. O ataque representa uma das maiores ofensivas com drones no território russo desde o início da invasão, há mais de dois anos.

O prefeito de Moscou relatou danos a residências e infraestrutura nos distritos sul da capital, onde detritos dos drones causaram incêndios e quedas de energia. Nenhum local militar foi atingido, mas o impacto psicológico sobre a população foi imediato e significativo. Moradores descreveram sirenes, explosões e o cheiro acre de metal queimado que persistiu por horas após os ataques. O Kremlin classificou os ataques como ato terrorista, mas não forneceu detalhes sobre vítimas militares ou danos a alvos estratégicos.

A Ucrânia não comentou oficialmente a operação, embora tenha alvejado repetidamente instalações militares e energéticas russas nos últimos meses para interromper linhas de suprimento e o moral das tropas. As vítimas civis na Rússia aumentaram drasticamente este ano, com autoridades registrando pelo menos 20 mortos em incidentes relacionados a drones desde janeiro.

O ataque noturno ocorre após semanas de escalada em que a Ucrânia atingiu refinarias de petróleo russas e depósitos de armas perto da fronteira, ataques que Moscou atribui às forças de Kyiv. Analistas sugerem que a Ucrânia estaria usando drones de longo alcance para esticar as defesas russas e testar vulnerabilidades na infraestrutura crítica. O último ataque também coincide com a ofensiva ucraniana para recuperar territórios perdidos no leste, onde os combates na linha de frente se intensificaram nas últimas semanas.

Observadores internacionais alertam que os ataques podem agravar ainda mais as relações entre Moscou e aliados como Irã e Coreia do Norte, que forneceram drones e mísseis à Rússia. O Kremlin ameaçou tomar “medidas retaliatórias”, mas ainda não especificou planos de resposta militar além de declarações retóricas. Enquanto isso, sirenes de ataque aéreo ecoaram no sul da Rússia no domingo à tarde, sinalizando possíveis novos ataques ou alarmes falsos.

Moradores de regiões fronteiriças como Belgorod e Rostov já estão acostumados a frequentes exercícios, mas o ataque deste fim de semana pareceu diferente em escala e intensidade. Autoridades locais pediram que a população permanecesse em casa e evitasse janelas, enquanto serviços de emergência trabalhavam para remover detritos e restabelecer o fornecimento de energia. O ataque também interrompeu o tráfego aéreo em vários aeroportos regionais, incluindo um em Voronezh, onde os voos foram brevemente suspensos.

A mídia estatal russa retratou os ataques como um ato de desespero, enquanto nas redes sociais ucranianas a operação foi comemorada como um sinal da crescente capacidade de Kiev de atingir profundamente o território russo. O ataque noturno deixa questões sem resposta sobre a estratégia de longo prazo da Ucrânia e a capacidade da Rússia de proteger suas áreas urbanas. Por enquanto, o foco permanece na avaliação dos danos e no balanço de uma noite que testou a determinação de ambos os lados.