Uyghur fighters from China joined Syria’s civil war — and their return now scares China’s government.
- Thousands of Uyghurs left China to fight Assad in Syria
- They became key frontline fighters in the war’s later years
- China now fears their return after years abroad
Nas colinas poeirentas fora de Idlib, um comandante rebelde sírio chamado Abu Omar ajustou a alça de seu rifle e apontou em direção à fronteira com a Turquia. “Esses homens”, disse ele, “mudaram o rumo da batalha em Idlib”. Ele não estava falando de sírios. Referia-se a homens que tinham o uigur — a língua turcomana da região mais ocidental da China — como idioma materno. Eles vinham de uma região que Pequim chama de Xinjiang, um lugar que muitos deles nunca haviam visto depois de fugir. Entre 2012 e 2019, centenas — possivelmente milhares — de uigures deixaram a China para se juntar à luta contra o regime de Assad na Síria. Eles combateram em algumas das batalhas mais sangrentas da guerra, ganhando reputação de combatentes destemidos e disciplinados. Agora, anos após o fim da guerra, a China está preocupada com o que acontece quando alguns deles retornam — ou não.
Como os uigures acabaram na guerra da Síria
A repressão da China em Xinjiang — onde as autoridades detiveram mais de um milhão de uigures em campos desde 2017 — empurrou muitos a deixar o país anos antes. Alguns foram primeiro para a Turquia, onde redes de exilados uigures vivem há décadas. De lá, contrabandistas organizavam a travessia para a Síria, muitas vezes passando pelo Líbano ou pelo Iraque. Outros viajaram via Sudeste Asiático ou Europa, usando passaportes falsos para evitar a detecção. Uma vez na Síria, a maioria se juntou ao Partido Islâmico do Turquestão, um grupo militante ligado à al-Qaeda que lutou tanto contra as forças de Assad quanto, mais tarde, contra o Estado Islâmico. O governo dos EUA há muito acusa o grupo de laços com a al-Qaeda, mas seus combatentes também foram fundamentais em batalhas que quebraram o controle de Assad sobre a província de Idlib em 2019.
Os combatentes entrevistados pela NPR disseram que não foram para a Síria para se juntar a uma jihad global. Eles foram porque viam as forças de Assad como uma ameaça aos muçulmanos sunitas — e porque a Turquia, seu principal refúgio na época, estava bloqueando seu caminho para a Europa. “Não tínhamos escolha”, disse Abu Khattab, um combatente de 32 anos de uma pequena cidade no sul de Xinjiang. “A China estava nos trancando. A Turquia não nos deixava ficar. A Síria era a única porta que ainda estava aberta”. Suas palavras ecoam o que outros disseram à NPR: a sobrevivência, não a ideologia, impulsionou sua jornada.
O crescente medo da China com os que retornam
A China passou anos construindo um caso de que os combatentes uigures na Síria representam uma ameaça existencial. A mídia estatal agora os chama de “terroristas” e alega que alguns retornaram para realizar ataques. Mas especialistas e os próprios combatentes dizem que o verdadeiro risco não é a violência — é as ideias que esses homens trazem de volta. Após anos na Síria, muitos viram como os grupos rebeldes sunitas operam, como se organizam e como sobrevivem sob cerco. “Eles aprenderam habilidades”, disse um pesquisador que acompanha combatentes uigures na Síria, mas pediu para não ser identificado. “Não apenas com armas — com logística, com contrabando, com esconderijos. É isso que preocupa Pequim”.
A resposta da China tem sido rápida. Ela pressionou a Turquia a deportar uigures de volta à China, mesmo quando eles correm risco de tortura ou prisão. Em 2020, a Turquia enviou dezenas para a China apesar de protestos internacionais. Outros foram presos durante a travessia, como um grupo detido no Paquistão em 2021 enquanto tentava chegar ao Afeganistão. “A China quer que eles voltem”, disse o pesquisador. “Seja como combatentes ou não, eles são um problema que Pequim não pode controlar se permanecerem no exterior”.
O que acontece agora com os combatentes
A maioria dos combatentes uigures que sobreviveram à guerra da Síria agora vive em Idlib, o último reduto rebelde do país. A área é controlada pela Hay’at Tahrir al-Sham, o grupo que evoluiu do Partido Islâmico do Turquestão. A vida lá é brutal: bombardeios aéreos, escassez de alimentos e vigilância constante. Alguns combatentes tentaram sair, mas poucos países os aceitam. A Turquia fechou suas portas. A Europa não emite vistos. Os EUA não ofereceram um caminho claro. “Estamos presos”, disse Abu Khattab. “A China não nos aceita. O mundo não nos aceita. Estamos encurralados”.
Para a China, a situação dos combatentes é uma faca de dois gumes. Se permanecerem na Síria, Pequim pode continuar os chamando de terroristas. Se tentarem voltar, a China pode prendê-los sob suas leis antiterrorismo. De qualquer forma, o governo ganha. Mas os combatentes dizem que só querem uma coisa: segurança. “Não viemos aqui para lutar para sempre”, disse outro combatente, que pediu para ser chamado de Abu Bakr. “Viemos porque tínhamos que vir. Agora só queremos viver”. Sua voz falhou ao falar, o peso dos anos sobre seus ombros.
Por enquanto, os combatentes permanecem em Idlib, observando o céu em busca de drones. A China os observa de volta — e se prepara para o que vem a seguir.
NPR
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