WHO declares Congo Ebola outbreak a global health emergency after 80+ deaths with no vaccine available.
- WHO declares DRC Ebola outbreak international health emergency Sunday
- Outbreak killed over 80 people since August this year
- No licensed vaccine exists for the circulating Ebola strain
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acendeu o alerta no domingo, classificando oficialmente o surto de ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC) como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Isso ocorre após o vírus ter causado pelo menos 83 mortes desde que surgiu na província de Kivu do Norte, em agosto. A cepa responsável por este surto é o ebolavírus Zaire, o mesmo que provocou a epidemia na África Ocidental em 2014 — a mais mortal já registrada. O que torna a situação especialmente difícil é que não existe vacina licenciada para essa cepa específica, segundo o comitê de emergência da OMS. As equipes de saúde só puderam contar com métodos comprovados, como rastreamento de contatos, isolamento e enterros seguros, para conter a disseminação.
Por que essa declaração importa agora
A OMS tomou essa decisão porque o surto começou a cruzar fronteiras. No mês passado, o vírus chegou a Uganda, infectando um menino de 5 anos que veio a óbito. Sua avó e outra criança testaram positivo, mas sobreviveram. O ministério da saúde de Uganda confirmou os casos, e a OMS vê isso como prova de que o vírus poderia se espalhar ainda mais pela África Oriental. A declaração de emergência da OMS é rara — esta é a quinta vez na história que o órgão faz isso em relação ao ebola. A última vez foi para a mesma região em 2019, mas aquele surto terminou após dois anos, com mais de 2.200 mortes.
A resposta no terreno
Em Goma, uma grande cidade próxima à fronteira com Ruanda, com mais de dois milhões de habitantes, trabalhadores da saúde estão montando centros de isolamento e treinando equipes locais. O governo da RDC afirma já ter deslocado 800 profissionais de saúde e epidemiologistas para as áreas mais afetadas. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem equipes em Beni e Butembo, duas cidades duramente atingidas pelo vírus. No entanto, levar suprimentos para zonas de conflito é um pesadelo. Grupos armados ainda controlam partes de Kivu do Norte, tornando perigoso para os profissionais de saúde se deslocarem com segurança. Estradas frequentemente são bloqueadas, e algumas aldeias só são acessíveis por helicóptero.
O que está dificultando o controle
Sem uma vacina, as únicas ferramentas disponíveis são vigilância e contenção. A OMS admite que a resposta atual não é suficiente para conter o surto. O órgão pede US$ 54 milhões para financiar seu plano até setembro de 2024, mas lacunas de financiamento já estão retardando as ações. Enquanto isso, hospitais locais estão sobrecarregados. Em Beni, o principal centro de tratamento de ebola ficou sem leitos duas vezes no mês passado. Famílias estão escondendo parentes doentes com medo do estigma e dos centros de isolamento. Algumas até se recusam a relatar mortes, o que esconde novos casos.
Lições dos fracassos passados
O surto de ebola entre 2018 e 2020 no leste da RDC mostrou quão rapidamente o vírus pode ressurgir quando a confiança se quebra. Naquele episódio, a epidemia durou quase dois anos, matou mais de 2.200 pessoas e custou US$ 1,2 bilhão para ser controlada. Comunidades resistiram aos profissionais de saúde, acreditando que o vírus era uma farsa do governo. Rumores e desinformação se espalharam rapidamente. Desta vez, as redes sociais estão amplificando as mesmas alegações falsas. Autoridades de saúde correm para combatê-las com líderes locais, estações de rádio e até influenciadores.
A declaração de emergência da OMS não é apenas um aviso — é um sinal para que outros países intensifiquem suas ações. Uganda, Ruanda e Burundi já apertaram os controles de fronteira e estabeleceram postos de triagem. A União Africana prometeu apoio, mas o verdadeiro teste será se o governo da RDC conseguirá proteger sua população no meio de uma zona de guerra. Se este surto piorar, não será apenas uma tragédia congolesa — será uma crise regional.
RFI
Read full article at RFI →This post is a curated summary. All rights belong to the original author(s) and RFI.
Was this article helpful?
Discussion