O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que uma operação militar conjunta entre os EUA e a Nigéria matou Abu Bakr al-Mainuki, segundo no comando do grupo Estado Islâmico (ISIS), na Bacia do Lago Chade, na Nigéria. Trump revelou a operação em uma postagem tardia nas redes sociais, com poucos detalhes, classificando al-Mainuki como uma figura-chave no financiamento do ISIS e no planejamento de ataques contra os EUA e seus interesses. O presidente afirmou que al-Mainuki “achou que poderia se esconder na África, mas não sabia que tínhamos fontes que nos mantinham informados sobre suas ações”.

O presidente nigeriano Bola Tinubu confirmou o ataque, declarando que al-Mainuki foi morto junto com vários tenentes durante um assalto a seu complexo na Bacia do Lago Chade. Um alto funcionário dos EUA, que falou sob condição de anonimato, afirmou que al-Mainuki vinha sendo monitorado há meses enquanto planejava ataques. O funcionário descreveu al-Mainuki como o “arquiteto” por trás do financiamento e do planejamento operacional da filial do ISIS na África Ocidental, incluindo planos que visavam pessoal e embaixadas dos EUA.

Ascensão do ISIS na África Ocidental e o papel de al-Mainuki

Nascido no estado de Borno, na Nigéria, em 1982, al-Mainuki assumiu o controle da Província do Estado Islâmico na África Ocidental após a morte do ex-líder do grupo, Mamman Nur, em 2018, segundo o Counter Extremism Project, organização que monitora grupos militantes. O grupo de monitoramento relatou que al-Mainuki atuava no Sahel e havia lutado com o ISIS na Líbia uma década atrás, quando o grupo controlava partes da África do Norte. Sanções impostas pelos EUA em 2023 o designaram como Terrorista Global Especialmente Designado, bloqueando seus bens e restringindo viagens.

A morte de al-Mainuki representa um golpe significativo para a filial do ISIS na África Ocidental, que realizou ataques letais contra bases militares, aldeias e alvos civis em toda a Nigéria, Níger e Chade. Analistas de segurança afirmam que sua eliminação pode desestabilizar as redes de financiamento do grupo, que dependem fortemente de extorsão, saques e contrabando na região do Sahel. A Bacia do Lago Chade, um ponto crítico de atividade insurgente, tem visto um aumento nas operações antiterrorismo por forças regionais e parceiros internacionais nos últimos anos.

Trump reivindica autoria, mas detalhes permanecem escassos

O anúncio tardio de Trump ofereceu poucos detalhes operacionais, como o momento, o método ou o número de vítimas civis. A Casa Branca não divulgou mais informações, e o Pentágono se recusou a comentar oficialmente. Analistas observam que tais operações geralmente envolvem vigilância, compartilhamento de inteligência e ataques de precisão para minimizar danos colaterais. O exército nigeriano já realizou operações semelhantes no passado, frequentemente com apoio de inteligência e ajuda logística dos EUA.

O momento do anúncio — durante a volta de Trump de uma viagem a Pequim e no meio de um conturbado ciclo eleitoral nos EUA — levanta questões sobre possíveis mensagens políticas. Trump frequentemente destacou sucessos antiterrorismo na África durante sua presidência, contrastando-os com as políticas da administração anterior. No entanto, a verificação independente da operação ainda é limitada, e detalhes completos podem levar dias ou semanas para surgir.

O ataque soma-se a uma série de recentes sucessos contra afiliados do ISIS, incluindo a morte do líder do ISIS-K, Sanaullah Ghafari, no Afeganistão em 2022, e a morte do chefe financeiro do ISIS na Síria, Saman Asad, em 2023. Essas operações refletem uma estratégia mais ampla dos EUA para desmantelar a liderança global e as redes financeiras do grupo. Para parceiros regionais como a Nigéria, a perda de al-Mainuki pode enfraquecer temporariamente a filial do ISIS na África Ocidental, mas também poderia desencadear ataques retaliatórios ou uma luta pelo poder dentro da organização.