A Organização Mundial da Saúde (OMS) acendeu o alerta no domingo, classificando os surtos de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”. Esta é a quinta vez que a entidade faz tal declaração desde 2009 e a segunda neste ano, após um surto separado na RDC que teve início em agosto de 2022. A medida sinaliza uma séria ameaça à segurança sanitária global, enquanto autoridades de saúde correm para conter o vírus antes que ele se espalhe além das fronteiras.

Até o momento, os surtos já vitimaram 88 pessoas e infectaram pelo menos 300, segundo os dados mais recentes da OMS. A maioria dos casos está concentrada no leste da RDC, próximo à fronteira com Uganda, onde profissionais de saúde têm enfrentado dificuldades para conter a disseminação devido a sistemas de saúde frágeis, desconfiança nas comunidades e violência contínua. O vírus já cruzou para Uganda, onde pelo menos quatro casos foram confirmados, incluindo uma morte. Autoridades sanitárias temem que a situação possa piorar com a livre circulação de pessoas pelas fronteiras porosas.

Por que essa declaração de emergência é importante

A classificação da OMS não é apenas simbólica — ela libera financiamento, coordenação e recursos de países ao redor do mundo. Também obriga as nações afetadas a tomar medidas urgentes, como o envio de mais profissionais de saúde, a criação de unidades de isolamento e a implementação de campanhas de vacinação. Sem essas ações, o vírus poderia se espalhar rapidamente, especialmente em áreas com suprimentos médicos limitados. O último grande surto de Ebola na RDC, entre 2018 e 2020, matou mais de 2.200 pessoas e custou bilhões para ser controlado.

Especialistas em saúde alertam que os surtos atuais são particularmente arriscados devido à localização. O leste da RDC tem sido um ponto crítico para o Ebola desde 2018, e a instabilidade na região dificulta a atuação de grupos de ajuda de forma segura. A declaração de emergência da OMS significa que países vizinhos, como Ruanda, Burundi e Sudão do Sul, devem intensificar a vigilância e se preparar para possíveis casos. Alguns governos já começaram a fazer triagem de viajantes em fronteiras e aeroportos, mas críticos afirmam que é necessário fazer mais para evitar uma crise regional.

O que está sendo feito para conter a disseminação

Equipes no terreno, incluindo a OMS, Médicos Sem Fronteiras (MSF) e profissionais de saúde locais, correm contra o tempo para conter os surtos. Campanhas de vacinação estão em andamento na RDC e em Uganda, com foco em grupos de alto risco, como profissionais de saúde e contatos de pessoas infectadas. A OMS já enviou milhares de doses de vacina para a região, mas os suprimentos ainda são escassos. Enquanto isso, profissionais de saúde enfrentam a batalha contra a desinformação, com algumas comunidades se recusando a acreditar na existência do Ebola ou rejeitando ajuda médica.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também prometeram apoio, enviando especialistas para auxiliar no rastreamento de contatos e testes laboratoriais. No entanto, desafios logísticos — como redes viárias precárias e ataques frequentes a instalações de saúde — estão retardando os esforços. Em Uganda, o governo fechou algumas escolas e proibiu aglomerações em áreas afetadas para reduzir a transmissão. Ainda assim, autoridades sanitárias afirmam que o vírus pode se espalhar ainda mais se essas medidas não forem suficientes.

O que acontece agora

A declaração de emergência da OMS pressiona líderes globais a agir rapidamente. Países como Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia foram convocados a contribuir com recursos financeiros e suprimentos, enquanto a OMS pede melhor coordenação entre a RDC e Uganda para compartilhar dados e recursos. As próximas semanas serão críticas: se os surtos não forem controlados, o vírus poderá se alastrar para mais países, desencadeando uma crise maior.

Por enquanto, o foco está em conter o Ebola. Mas o tempo está se esgotando. A cada dia que passa, o risco de um surto mais amplo aumenta — e a resposta global determinará se esta será mais um capítulo mortal na luta contra o Ebola.