O governo de Israel se aproximou de um colapso na terça-feira, quando os partidos ultraortodoxos (Haredi) retiraram seu apoio à coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu devido a uma disputa sobre isenções do serviço militar. A decisão ocorre após meses de tensão entre Netanyahu e seus aliados Haredi, que fizeram da isenção do recrutamento uma exigência central em troca de seu apoio político. A crise se agravou na terça-feira, quando uma facção da United Torah Judaism (UTJ), liderada pelo Degel Hatorah, exigiu que a coalizão entrasse em colapso a menos que as isenções fossem formalizadas em lei.

Na terça-feira, a coalizão de Netanyahu apresentou um pedido à Knesset (Parlamento israelense) para realizar eleições antecipadas, uma medida que deve ser aprovada na próxima semana. Se confirmada, Israel realizaria eleições gerais dentro de 90 dias, provavelmente em meados de agosto — dois meses antes do término do mandato do governo, previsto para 27 de outubro. A decisão segue um impasse em julho de 2025, quando os partidos ultraortodoxos Shas e UTJ retiraram seus ministros do governo, a menos que um projeto de lei permanente sobre isenções fosse aprovado. Embora tenham continuado a votar com a coalizão em legislações-chave, a recente exigência sinaliza que a paciência deles se esgotou.

O que desencadeou a disputa sobre o recrutamento?

A controvérsia gira em torno do serviço militar obrigatório em Israel, que se aplica a quase todos os cidadãos judeus acima de 18 anos. A maioria dos homens Haredi atualmente recebe isenções com base em um acordo de décadas, que cita os estudos religiosos como justificativa para o adiamento. Essa prática tem gerado críticas de legisladores seculares e da Suprema Corte, que, em 2024, determinou que a isenção violava princípios constitucionais de igualdade. O governo de Netanyahu buscou um compromisso, mas os partidos Haredi insistem em isenções totais e permanentes para seus eleitores, apresentando o tema como um direito religioso.

Consequências políticas ameaçam o governo de Netanyahu

A coalizão de Netanyahu depende de uma maioria estreita e não pode perder o apoio dos Haredi. O governo sobreviveu a uma moção de desconfiança em julho, após os partidos Haredi se absterem, mas a recente decisão deles intensifica o impasse. A facção Degel Hatorah da UTJ, liderada pelo rabino Moshe Gafni, adotou uma postura mais rígida, argumentando que Netanyahu deve ou conceder as isenções completas ou convocar eleições. Analistas afirmam que o primeiro-ministro enfrenta um cenário sem saída: alienar sua base Haredi ou desafiar a Suprema Corte e arriscar uma intervenção judicial.

O que acontece agora?

A Knesset deve votar na quarta-feira sobre o pedido de eleições antecipadas. Se aprovado, Israel realizará eleições gerais em meados de agosto. Pesquisas indicam uma disputa acirrada, com o partido Likud de Netanyahu enfrentando desafios de rivais centristas e de extrema-direita. O resultado poderia redefinir o cenário político israelense e determinar se a lei de recrutamento será reformada ou adiada ainda mais. Enquanto isso, líderes Haredi prometeram intensificar protestos se o governo não atender às suas exigências antes das eleições.

A crise destaca tensões mais amplas em Israel sobre religião e Estado, com o recrutamento militar servindo como um ponto de discórdia. Enquanto o governo corre para evitar o colapso, o debate público sobre serviço militar e liberdade religiosa não mostra sinais de arrefecimento.