O distúrbio hormonal comum anteriormente chamado de síndrome dos ovários policísticos (PCOS) foi oficialmente renomeado para síndrome ovariana metabólica e endócrina (PMOS) por um grupo de consenso médico global. A mudança, anunciada nesta semana, busca corrigir concepções errôneas generalizadas e imprecisões diagnósticas que persistiram por mais de 30 anos. Pesquisadores afirmam que o novo nome reflete melhor a verdadeira natureza metabólica e endócrina da condição, que vai além dos ovários.

Especialistas da Sociedade Internacional de Hormônios e da Sociedade de Endocrinologia lideraram a campanha pela mudança de nomenclatura, citando evidências de que a PCOS afeta múltiplos sistemas endócrinos, não apenas os órgãos reprodutivos. Agora, a condição é reconhecida como um distúrbio metabólico sistêmico associado à resistência à insulina, riscos cardiovasculares e diabetes tipo 2. A renomeação segue anos de críticas de que o antigo rótulo — focado em características físicas dos ovários — induzia pacientes e médicos a ignorar seus impactos mais amplos na saúde.

Por que a mudança de nome importa para pacientes e médicos

A nova denominação surge em meio a crescentes pedidos de grupos de defesa de pacientes por uma terminologia mais clara. Muitas mulheres com PCOS relatam terem sido desconsideradas por profissionais de saúde que se concentraram apenas nos cistos ovarianos, ignorando sintomas metabólicos como fadiga, ganho de peso e problemas de açúcar no sangue. O termo PMOS enfatiza o perfil hormonal e metabólico complexo da condição, que inclui níveis elevados de andrógenos e disfunção na insulina. Pesquisadores esperam que essa mudança leve a diagnósticos mais precoces e a planos de tratamento mais abrangentes.

Registros históricos mostram que o termo PCOS foi introduzido em 1935 por dois médicos, Irving Stein e Michael Leventhal, que associaram cistos ovarianos a desequilíbrios hormonais. Com o tempo, o diagnóstico passou a incluir sintomas como menstruações irregulares e acne, mas o nome continuou vinculado aos ovários. Estudos nas últimas décadas revelaram que apenas cerca de 60% das mulheres diagnosticadas com PCOS apresentam cistos visíveis, destacando a imprecisão do termo.

O que o novo nome significa para diagnóstico e tratamento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está revisando a mudança de nome e deve emitir diretrizes diagnósticas atualizadas até 2025. Até lá, médicos são incentivados a usar PMOS em registros de pacientes e discussões clínicas. A alteração alinha-se a esforços semelhantes de renomeação na medicina, como a mudança de síndrome fibromiálgica para síndrome de dor nociplástica, para descrever melhor sua base neurológica.

Organizações de apoio a pacientes estão recebendo a mudança com entusiasmo. A Associação de Conscientização sobre PCOS já atualizou seus materiais para refletir o PMOS e está incentivando médicos a adotar a nova terminologia em codificações médicas e reivindicações de seguro. Entre os primeiros a adotar a mudança estão vários grandes sistemas de saúde dos EUA e hospitais universitários da Europa, que já começaram a usar PMOS em portais de pacientes e publicações de pesquisa.

Uma mudança mais ampla na terminologia da saúde da mulher

A renomeação do PMOS reflete uma tendência crescente na nomenclatura médica de priorizar a precisão em detrimento da tradição. Debates semelhantes estão em andamento para condições como a endometriose, que alguns defendem renomear para destacar sua natureza inflamatória sistêmica. A iniciativa também responde a críticas de que termos ultrapassados contribuem para o estigma e o atraso no atendimento, especialmente entre mulheres negras, que são desproporcionalmente mal diagnosticadas.

Por enquanto, a comunidade médica está focada na educação. A Sociedade de Endocrinologia lançou uma campanha global para informar médicos, pacientes e seguradoras sobre a mudança. Embora a alteração do nome não modifique imediatamente os protocolos de tratamento, pesquisadores esperam que ela melhore a conscientização e leve a estratégias de cuidados mais personalizados para as cerca de 1 em cada 10 mulheres em todo o mundo afetadas pela condição.