Um míssil russo atingiu um prédio residencial no centro de Kiev na sexta-feira, reduzindo parte da estrutura a escombros e matando 24 pessoas, incluindo três crianças, segundo autoridades ucranianas. O ataque, ocorrido por volta das 9h no horário local, atingiu uma área densamente povoada, destruindo vários andares do prédio de 10 andares e deixando moradores presos sob os escombros. Equipes de resgate trabalharam durante a noite para resgatar corpos e sobreviventes, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky chegou ao local para depositar rosas vermelhas e prometer retaliação. O ataque marca o mais mortal em um único local em Kiev desde que a Rússia lançou sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Os serviços de emergência relataram 38 feridos, sendo 14 em estado crítico até a noite de sexta-feira. As autoridades ucranianas identificaram o míssil como um Kh-101 russo, um míssil de cruzeiro lançado do ar, conhecido por sua precisão, mas também por seu impacto indiscriminado em áreas urbanas. O prédio, localizado no Distrito de Shevchenkivskyi, abrigava centenas de famílias, muitas das quais haviam fugido de regiões de frente de batalha em busca de segurança na capital. Moradores locais descreveram cenas de caos enquanto bombeiros e voluntários vasculhavam os destroços em busca de sobreviventes. Uma sobrevivente, que perdeu três familiares, disse à imprensa: “Ouvimos a explosão e, em seguida, tudo desabou. Não houve aviso.”

Rússia nega alvejar civis enquanto Ucrânia se prepara para resposta

Autoridades russas alegaram que o ataque visava apenas uma instalação militar, descartando as acusações ucranianas de dano deliberado a civis. “As Forças Armadas russas não atingem prédios residenciais”, declarou o Ministério da Defesa da Rússia em uma publicação no Telegram. No entanto, o presidente ucraniano Zelensky rejeitou as alegações, classificando o ataque como um “crime de guerra” em um discurso nacional. “A Rússia quer apagar nosso povo”, afirmou Zelensky. “Nós responderemos. O mundo deve ver isso.” A inteligência militar da Ucrânia sugeriu que o ataque pode ter mirado um centro de comando próximo, mas reconheceu o alto número de vítimas civis. Observadores internacionais, incluindo as Nações Unidas, condenaram o ataque, com o alto-comissário da ONU para direitos humanos pedindo uma investigação independente sobre possíveis violações do direito internacional.

As defesas aéreas ucranianas interceptaram outros mísseis e drones lançados contra a capital e outras cidades na sexta-feira, mas não conseguiram deter o projétil que atingiu o prédio. Autoridades ucranianas relataram ter interceptado 23 dos 31 mísseis e drones lançados em todo o país, incluindo mísseis balísticos, de cruzeiro e drones. O ataque ocorre em meio a uma recente escalada nos bombardeios russos em toda a Ucrânia, que têm como alvo infraestruturas energéticas e centros populacionais à medida que o inverno se aproxima. Analistas alertam que Moscou pode estar tentando quebrar o moral civil com o aumento dos ataques a cidades distantes das linhas de frente. O ministério ucraniano de Energia relatou danos menores em linhas de energia, mas não houve grandes blecautes após os ataques de sexta-feira.

Resposta global e pedidos de responsabilização

O ataque provocou condenações de aliados ocidentais, com os Estados Unidos e a União Europeia reafirmando seu apoio à Ucrânia. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, classificou o ataque como “bárbaro” e reiterou o compromisso americano com a defesa da Ucrânia. O chefe de política externa da UE anunciou uma reunião de emergência para discutir novas sanções contra a Rússia. Enquanto isso, a Rússia acusou a Ucrânia de ter forjado o ataque para obter simpatia, uma alegação rejeitada por observadores independentes e autoridades ucranianas.

A promessa de retaliação por parte de Zelensky levantou preocupações sobre uma possível escalada nos combates, embora oficiais militares ucranianos não tenham detalhado planos específicos. O ataque segue um padrão de crescente bombardeio russo a infraestruturas civis desde o verão, quando a Ucrânia lançou uma contraofensiva para recuperar territórios ocupados. Grupos de direitos humanos documentaram inúmeros casos de forças russas alvejando locais não militares, incluindo hospitais, escolas e prédios residenciais, em violação ao direito humanitário internacional. A Corte Penal Internacional já emitiu um mandado de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, sob a acusação de deportação ilegal de crianças ucranianas, embora Moscou rejeite a jurisdição do tribunal.

O que acontecerá a seguir permanece incerto. As defesas aéreas da Ucrânia continuam sob pressão, enquanto a Rússia emprega novos tipos de mísseis e táticas para sobrecarregá-las. Espera-se que as vítimas civis aumentem com a chegada do inverno, já que a infraestrutura energética já foi enfraquecida por meses de bombardeios. A resposta da comunidade internacional provavelmente se concentrará em sanções adicionais e ajuda militar, mas o caminho para uma desescalada parece distante, enquanto ambos os lados se preparam para um conflito prolongado. Por enquanto, famílias em Kiev choram seus mortos, enquanto o mundo aguarda para ver como a Ucrânia responderá — e se a Rússia intensificará ainda mais os ataques.