O Panamá garantiu sua classificação para a Copa do Mundo FIFA 2026 da mesma forma que fez em 2018: com resultados consistentes nas eliminatórias da CONCACAF. A campanha começou na segunda fase, onde enfrentou Nicarágua, Guiana, Montserrat e Belize. Os panamenhos venceram todos os quatro jogos, marcando 10 gols e sofrendo apenas um. Esse desempenho perfeito os preparou para a terceira fase, mais desafiadora, contra Suriname, Guatemala e El Salvador em um único grupo. Após seis partidas, o Panamá somou 11 pontos — suficientes para o quarto lugar — e assegurou sua vaga no torneio. Thomas Christiansen, treinador espanhol que assumiu em 2020, deixou claro que a equipe não está na Copa apenas para “completar tabela”. “Queremos mostrar ao mundo o que somos capazes”, afirmou após a última partida das eliminatórias. “Não estamos aqui para perder. Estamos aqui para competir.”

A campanha de classificação do Panamá não se resumiu apenas a resultados, mas também serviu para provar que a equipe merece estar entre as melhores. Na segunda fase, o atacante Ismael Díaz liderou o ataque com quatro gols, enquanto o meio-campista Adalberto Carrasquilla controlou o ritmo do time. A defesa, ancorada pelo lateral-direito Michael Murillo, só sofreu um gol em quatro jogos. Essa solidez defensiva se manteve na terceira fase, onde a zaga, incluindo o zagueiro César Blackman, resistiu a adversários mais fortes. “Sabíamos que a terceira fase seria mais difícil”, disse Christiansen. “Mas mantivemos o foco. Não entramos em pânico quando perdemos pontos. Continuamos vencendo.”

Uma equipe construída sobre união e determinação

O elenco do Panamá não conta com superastros globais, mas essa é justamente uma de suas forças. A maioria dos jogadores vem de clubes no México, Costa Rica ou nos EUA, onde aprenderam a batalhar por cada centímetro do campo. O goleiro Jaime Penedo, agora com 38 anos, é o único remanescente da equipe de 2018, mas sua experiência é inestimável. “Este time joga com o coração”, declarou Penedo antes da última partida das eliminatórias. “Não temos os maiores nomes, mas temos a maior vontade.”

O núcleo da equipe inclui jogadores como José Fajardo, meio-campista defensivo que estreou na seleção em 2023 e desde então se tornou uma peça-chave. Seu trabalho árduo e disciplina tática ajudaram o Panamá a se manter compacto no meio-campo, frustrando adversários que esperavam uma vitória fácil. No ataque, Díaz e Eric Davis oferecem criatividade e velocidade, enquanto Jesús Medina acrescenta brilho pelas pontas. “Não somos a equipe mais bonita de se assistir”, admitiu Christiansen. “Mas somos eficazes. Dificultamos a vida dos outros.”

O que esperar em 2026

O Panamá será cabeças de chave do pote 4 no sorteio da Copa do Mundo de 2026, em dezembro, o que significa que não enfrentará seleções como Brasil, França ou Espanha na fase de grupos. A estreia está marcada para 11 de junho contra Portugal ou o vencedor do playoff entre República Tcheca e Polônia. “Em breve saberemos nosso grupo”, afirmou Christiansen. “Mas não importa quem enfrentarmos, os respeitaremos. Jogaremos nosso futebol.”

O formato do torneio, expandido para 48 times, oferece ao Panamá uma chance real de avançar além da fase de grupos. Em 2018, a equipe perdeu todas as três partidas, mas desta vez chega com mais fome. “Não estamos aqui para completar tabela”, disse Fajardo. “Estamos aqui para mostrar ao mundo do que somos capazes.” O caminho não será fácil — Senegal, Irã ou até mesmo uma forte seleção da CONCACAF como a Costa Rica podem ser obstáculos. Mas após oito anos de trabalho, os jogadores panamenhos não estão intimidados.

Uma conquista além do esporte

A classificação do Panamá é mais do que uma história esportiva. É um lembrete de que o futebol não é dominado apenas por Europa e América do Sul. A América Central já produziu talentos como Romell Quioto e Aníbal Godoy, que atuaram na Major League Soccer e na Europa. Para um país de apenas 4,5 milhões de habitantes, a consistência do Panamá em Copas do Mundo é impressionante.

A Copa de 2026 será disputada em três países — EUA, Canadá e México — o que oferece ao Panamá uma vantagem em termos de proximidade. Os torcedores panamenhos, conhecidos por sua paixão, viajarão em grande número para apoiar a equipe. “Isso não é apenas sobre futebol”, afirmou Christiansen. “É sobre colocar o Panamá no mapa.” Com um elenco que joga com orgulho e um técnico que exige intensidade, eles podem conseguir exatamente isso.