Fundadores da geração Z que buscam o sucesso em startups estão recebendo maus conselhos sobre horas de trabalho, declarou esta semana o investidor do Shark Tank Kevin O’Leary. Em um vídeo no Instagram, usando um vistoso top vermelho com estampa de chita, ele criticou jovens empreendedores que se impõem jornadas de 18 horas por dia, chamando a prática de ilógica e contraproducente. “O pior conselho que ouço os jovens fundadores repetirem o tempo todo é que querem trabalhar 18 horas por dia”, disse O’Leary. “Como isso pode ser inteligente?”

Sua advertência surge enquanto o Vale do Silício revive a notória jornada 996 — das 9h às 21h, seis dias por semana —, modelo já banido na China. Críticos afirmam que a tendência glorifica o excesso de trabalho, apesar de evidências de que reduz a eficiência e aumenta o esgotamento. O’Leary, que construiu um patrimônio de US$ 165 milhões, argumentou que uma alimentação saudável, sono adequado e tempo pessoal são essenciais para o sucesso sustentável. “Você não é um herói, é um passivo”, disse ele aos espectadores, rejeitando a narrativa da cultura do hustle, que incentiva a geração Z a sacrificar tudo pela ambição.

Dados recentes mostram o custo dos hábitos extremos de trabalho. Estudos relacionam longas jornadas a maior rotatividade, menor produtividade e riscos graves à saúde mental. Ainda assim, persiste o mito de que fundadores devem suportar noites em claro para construir a próxima empresa bilionária. O’Leary não está sozinho nessa rejeição. Figuras de destaque, como a atriz Scarlett Johansson, também se posicionaram contra a ideia de que equilíbrio entre vida pessoal e profissional é impossível, classificando-a como um mito a ser confrontado.

A oposição não vem apenas de investidores. Veteranos do Vale do Silício citam cada vez mais pesquisas que mostram que a produtividade despenca drasticamente após 50 horas semanais. O modelo 996, antes comum no setor de tecnologia chinês, foi oficialmente banido em 2021 após protestos generalizados e relatos de graves impactos à saúde. Nos EUA, porém, a tendência ressurgiu por meio de desafios nas redes sociais e conteúdos motivacionais voltados a jovens fundadores.

O conselho de O’Leary reflete uma crescente divisão geracional. Enquanto alguns fundadores da geração Z ainda perseguem a máxima “mova-se rápido e quebre coisas”, outros estão priorizando saúde mental e limites. Essa mudança é evidente em comunidades online e tendências de mercado, onde flexibilidade e bem-estar se tornam prioridades para novos formandos e profissionais em início de carreira.

O que virá a seguir pode redefinir a cultura das startups. À medida que mais fundadores e investidores rejeitam jornadas extremas, as empresas podem enfrentar pressão para redefinir o sucesso. A posição de O’Leary soma-se a uma discussão mais ampla sobre empreendedorismo sustentável — em que a ambição não precisa custar a saúde ou a felicidade. Para os fundadores da geração Z que o ouvem, a mensagem é clara: trabalhar 18 horas por dia não é um distintivo de honra — é um atalho para o esgotamento.