Ucrânia lançou quase 600 drones contra a Rússia durante um massivo ataque noturno, marcando uma das maiores ofensivas desde o início da guerra. Autoridades russas relataram quatro mortes e pelo menos 12 feridos nas regiões de Moscou e Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia. O ataque ocorreu poucos dias após a Rússia matar 24 pessoas em um bombardeio de mísseis em Kiev, levando o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy a prometer retaliação. A magnitude e o momento sugerem que a Ucrânia está intensificando sua campanha dentro do território russo, mesmo enquanto Moscou continua sua invasão no leste e sul da Ucrânia.

Autoridades locais confirmaram as mortes em Khimki e Pogoreliki, ambas a menos de 16 km de Moscou. Em Belgorod, um drone atingiu um caminhão, matando um homem, segundo as autoridades regionais. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que a maioria dos feridos eram trabalhadores da construção civil perto de uma refinaria de petróleo e gás, embora tenha destacado que a produção não foi interrompida. O Ministério da Defesa da Rússia alegou que suas defesas antiaéreas derrubaram 556 drones em todo o país, mas os drones ucranianos ainda causaram danos significativos e pânico em áreas civis.

Os ataques refletem a crescente capacidade da Ucrânia de projetar força profundamente no território russo, apesar das formidáveis defesas aéreas de Moscou. Analistas afirmam que a ofensiva demonstra a disposição de Kiev de assumir riscos maiores para pressionar a Rússia, mesmo enquanto aliados ocidentais debatem os limites do apoio militar. O Kremlin já havia advertido repetidamente contra tais ataques, mas a Ucrânia parece determinada a manter a pressão, alvejando locais logísticos e energéticos que sustentam a máquina de guerra russa.

O episódio também evidencia a crescente sofisticação do programa de drones da Ucrânia, que evoluiu de ferramentas improvisadas para armas de precisão capazes de atingir Moscou. Autoridades russas têm lutado para conter completamente a ameaça, com incursões repetidas de drones forçando atualizações dispendiosas em suas defesas antiaéreas. Para civis em regiões fronteiriças, os ataques trazem incerteza diária. Em Belgorod, moradores já estão acostumados a sirenes e blecautes, enquanto os subúrbios de Moscou agora enfrentam a mesma ameaça que antes parecia impensável.

A escalada ocorre enquanto a Ucrânia se prepara para uma potencial contraofensiva de verão, com tanques e mísseis ocidentais chegando ao campo de batalha. Enquanto isso, a Rússia intensificou seus próprios bombardeios em cidades ucranianas, incluindo Kiev, em uma aparente estratégia de retaliação. Nas próximas semanas, ficará claro se a Ucrânia consegue sustentar esse nível de guerra com drones ou se a Rússia adaptará suas defesas para neutralizar os ataques. Uma coisa é certa: a guerra está longe de terminar, e nenhum dos lados parece disposto a recuar.